Somente em São Paulo, a OAB SP já contabilizou 4.388 denúncias relacionadas ao golpe do falso advogado em pouco mais de um ano e meio. Em todo o país, o Conselho Federal da OAB e as 27 seccionais passaram a tratar o tema como prioridade institucional: campanhas nacionais, cartilhas, outdoors, força-tarefa, ações judiciais e até uma plataforma pública de verificação.
O cenário não é mais de casos isolados. Criminosos usam dados reais de processos, fotos de profissionais e canais como WhatsApp para cobrar PIX sob o pretexto de liberar valores judiciais. Vítimas já chegaram a perder dezenas de milhares de reais — e a confiança na advocacia fica sob pressão a cada denúncia.
Neste artigo, você vai entender como a OAB tem reagido em nível federal, estadual e seccional, o que as orientações oficiais pedem aos escritórios e como uma camada simples de confirmação na comunicação com o cliente complementa esse esforço institucional.
O golpe do falso advogado e a resposta institucional da OAB
O mecanismo é conhecido, mas continua eficaz. Golpistas acessam informações públicas de processos, contactam a parte e se apresentam como o advogado responsável. Criam urgência, prometem liberação de valores e pedem depósito antecipado — quase sempre em conta de terceiros, conduta incompatível com a prática regular da advocacia.
Em São Paulo, a OAB SP registrou 4.388 denúncias do golpe do falso advogado. Em operações policiais relatadas pela própria seccional, vítimas chegaram a perder R$ 80 mil em um caso e cerca de R$ 8 milhões em outro, envolvendo dezenas de pessoas.
Diante desse avanço, a Ordem deixou de atuar apenas com alertas pontuais. Passou a estruturar campanhas coordenadas, ferramentas digitais e medidas preventivas que o escritório pode — e deve — incorporar ao dia a dia. Se quiser um panorama mais detalhado do crime em si, veja também nosso artigo sobre como criminosos roubam dinheiro se passando por advogados.
Campanha nacional: ConfirmADV e o Conselho Federal
No plano federal, o Conselho Federal da OAB lançou uma campanha nacional de conscientização em parceria com as 27 seccionais. O eixo prático dessa iniciativa é a plataforma ConfirmADV, integrada ao Cadastro Nacional dos Advogados (CNA).
A lógica é direta: o cidadão informa inscrição, seccional e e-mail do profissional; o advogado tem poucos minutos para confirmar a solicitação. Em um ano de operação, a OAB Nacional já contabilizou mais de 32 mil verificações — com milhares de casos não confirmados, o que ajuda a interromper abordagens suspeitas antes do prejuízo.
A campanha nacional também prevê cartilhas, capacitação da advocacia, canal de denúncias e articulação com polícias civis. Em paralelo, o CFOAB participou da construção do Projeto de Lei nº 4.709/2025, aprovado pela Câmara e em análise no Senado, com mecanismos de prevenção, punição e resposta rápida a fraudes que usam dados processuais e a identidade de advogados.
É importante entender o papel dessa camada: o ConfirmADV ajuda a responder se aquele profissional está regularmente inscrito e se reconhece o pedido de verificação. Já a pergunta do dia a dia — quem está falando comigo agora, neste WhatsApp ou nesta ligação? — continua dependendo de protocolo do próprio escritório.
Em outras palavras, a verificação cadastral protege contra o impostor que inventa um nome de advogado inexistente ou usa dados inconsistentes. Mas muitos golpes atuais usam exatamente o nome, a foto e o número de OAB de um profissional real. Nesses casos, o cliente precisa de um segundo passo: confirmar se o interlocutor daquele momento tem acesso aos canais oficiais do escritório. Campanha institucional e protocolo interno caminham juntos.
Seccionais e subseções: força-tarefa, cartilhas e outdoors
OAB SP e a força-tarefa estadual
A OAB SP criou uma Força-Tarefa para Enfrentamento do Golpe do Falso Advogado. Além do levantamento de denúncias, a seccional ingressou com ações para exigir medidas das operadoras de telefonia, publicou manuais de orientação e apoiou cartilhas nacionais em parceria com outras seccionais, a Lupa e o Jusbrasil.
A orientação repetida pelos coordenadores da força-tarefa é clara: confirme sempre com o advogado de confiança, por canal já conhecido; desconfie de números novos, mesmo com foto real; e nunca pague para liberar valor judicial — isso não existe na prática da advocacia.
OAB Ribeirão Preto: protocolo operacional para o escritório
Na esfera local, a OAB Ribeirão Preto publicou um conjunto concreto de medidas da força-tarefa seccional. O material vai além do alerta genérico e organiza o que o escritório deve fazer na hora e no dia a dia:
- Comunicação pública: avisar nas redes que a identidade está sendo usada indevidamente e que o escritório nunca trata pagamentos via WhatsApp
- Protocolo de comunicação: orientar o cliente a não seguir conversas financeiras só por texto e a usar canais oficiais
- Notificação ativa: comunicar a base de clientes por WhatsApp, e-mail e demais canais oficiais
- Documentação e registro: guardar prints, identificar a origem do processo e registrar boletim de ocorrência
- Prevenção: canal único para assuntos financeiros, horário comercial para tratativas e código de verificação para pagamentos
O protocolo da subseção também reforça uma comunicação pública rápida quando a identidade do advogado é usada indevidamente: avisar nas redes, deixar explícito que pagamentos não são tratados por WhatsApp e orientar a base de clientes a cruzar qualquer cobrança com o escritório. Essa postura reduz o espaço do golpista e demonstra responsabilidade institucional — o mesmo espírito das hashtags e cartilhas difundidas pela OAB SP.
Outras seccionais e a presença nas redes
A mobilização não ficou restrita a São Paulo. A OAB Rondônia, por exemplo, lançou campanha com linguagem acessível, redes sociais e outdoors nas ruas, com a mensagem de que advogado de verdade não pede pagamento antecipado para liberar valores judiciais. Outras seccionais e subseções também usam Instagram, Reels e cartilhas digitais para levar o alerta ao público — como nas ações de conscientização circuladas pelas subseções paulistas.
O padrão que emerge é o mesmo: informação massiva, protocolo para o advogado e verificação antes de qualquer pagamento.
O que as campanhas da OAB pedem na prática
Quando se lê o conjunto de orientações — federal, estadual e local — aparece um checklist recorrente. Ele serve tanto para o cliente quanto para o escritório que quer reduzir risco reputacional.
1. Confirme a identidade do profissional pelos canais já conhecidos ou informados no contrato.
2. Desconfie de pedidos urgentes de PIX ligados a liberação de valores judiciais.
3. Interrompa a conversa se o número for desconhecido, mesmo com foto ou dados reais do processo.
4. Documente tudo: prints, números, tentativas de pagamento e, se houver prejuízo, boletim de ocorrência.
5. Adote protocolo interno: canal único para assuntos financeiros, comunicação padronizada e verificação antes de qualquer transferência.
Essas regras se cruzam com outro golpe frequente: a cobrança falsa via WhatsApp. Em ambos os casos, a urgência emocional é a ferramenta do criminoso — e a confirmação deliberada é o antídoto.
Como o Confirma.legal complementa as campanhas da OAB
As campanhas da OAB fazem um trabalho essencial: alertam a sociedade, oferecem verificação cadastral e organizam a resposta institucional. O escritório, porém, ainda precisa fechar a última milha da confiança: o momento em que o cliente recebe uma mensagem e precisa decidir se aquela pessoa é realmente o seu advogado.
É nesse ponto que entra uma camada de confirmação na comunicação. Ferramentas como o Confirma.legal permitem que o cliente gere um código temporário e peça que o interlocutor o informe. Se o escritório legítimo visualiza o código em sua área segura e o confirma, há forte indicativo de contato autêntico. Se não houver coincidência, a orientação é interromper e usar os canais oficiais — exatamente o espírito das medidas da OAB SP e da OAB Ribeirão Preto.
A diferença de papel é complementar, não concorrente:
- ConfirmADV e o CNA ajudam a verificar se o profissional existe e está inscrito
- O protocolo do escritório define como tratar pagamentos e comunicações
- O Confirma.legal oferece um segundo fator simples para a pergunta do momento: esta conversa é com o meu escritório?
Essa camada também dialoga com outra recomendação recorrente das campanhas: não tratar assuntos financeiros apenas por mensagem de texto. Quando o cliente gera o código e o escritório o confirma na área segura, a conversa deixa de depender da boa-fé do número que aparece no celular. Reduz-se o risco sem transformar o atendimento em burocracia — alinhado aos pilares de confiança, simplicidade e prevenção que a própria OAB tem enfatizado nas ações educativas.
Conclusão
O golpe do falso advogado deixou de ser um alerta isolado e virou agenda permanente da OAB: campanha nacional, ConfirmADV, força-tarefa em São Paulo, protocolos em subseções como Ribeirão Preto, outdoors e ações digitais em outras seccionais. A mensagem institucional é consistente — confirme, documente, não pague sob urgência e use canais oficiais.
Cabe ao escritório transformar esse alerta em rotina. Comunicação clara com a base de clientes, protocolo financeiro e uma camada simples de verificação na conversa reduzem o espaço do golpista e protegem a reputação construída ao longo dos anos.
O Confirma.legal foi criado para escritórios que querem oferecer essa confirmação de forma acessível, sem complicar o dia a dia do cliente. Conheça em confirma.legal.